Evento no Estádio João Saldanha reuniu o CERES/EC Originários e o Combinado 19 de Abril em partida simbólica que destacou resistência, representatividade e inclusão no futebol
Com o resultado, a equipe indígena mostrou que está pronta para fazer ainda mais história na Série C. O pontapé inicial foi dado pelo ex-jogador Donizete Pantera, reforçando o caráter especial da programação. A partida teve como destaque o protagonismo do EC Originários, sediado em Maricá, que, em parceria com o Ceres FC, se prepara para disputar o Campeonato Carioca. O projeto reúne atletas de diferentes territórios e etnias, consolidando um marco inédito no futebol fluminense e nacional.
Com a bola rolando, o atacante Wendy escreveu seu nome na história ao se tornar o primeiro jogador integrante de uma tribo indígena a marcar um gol no futebol carioca — um feito que vai além das estatísticas e se transforma em símbolo de identidade, orgulho e resistência.
Pertencente à etnia Xakriabá, Wendy marcou um dos gols na vitória por 7 a 0 no jogo disputado no Estádio João Saldanha, diante de cerca de 800 torcedores. A goleada foi construída com gols de Thailan (2), Wendy, Jefter, Guilherme Kamayurá, Carlos Guajajara e Renato Xakriabá.
Mais do que o placar elástico, o momento representa a afirmação de histórias que por muito tempo foram invisibilizadas no esporte e que agora ganham protagonismo.
Anderson Terra, do Instituto Terra do Saber, destacou o peso simbólico do momento para o esporte e para a representatividade indígena. “Jamais um menino de aldeia, daqui ou de qualquer outra parte do país, imaginou que poderia ter a oportunidade de jogar futebol profissionalmente. O que estamos construindo aqui é justamente essa possibilidade. A ideia é crescer cada vez mais, com novas categorias e mais oportunidades, para que esses atletas possam acreditar e buscar voos maiores”, apontou o parceiro do clube na organização administrativa e marketing.
o EC Originários reúne jogadores de 15 etnias e conta com cerca de 30% do elenco formado por atletas do próprio município. A proposta é consolidar o futebol como ferramenta de inclusão, representatividade e desenvolvimento, ampliando o alcance da iniciativa nos próximos anos com a criação de novas categorias.
Sete gols, um recado: o Ceres/Originários está pronto
A partida teve papel importante na preparação da equipe para a disputa da Série C do Campeonato Carioca. Segundo o técnico Huberlan Silva, o confronto serviu como um teste fundamental para o elenco.
“Esse jogo foi importante para dar ritmo aos jogadores que estão se preparando para o Carioca Série C. Serviu para observar posturas, condicionamento e ajustar detalhes para a nossa principal competição do ano”, destacou o treinador Huberlan Silva.
Em entrevista exclusiva ao CONEXÃO FLUMINENSE, o atacante Wendy compartilhou emoções, memórias e sonhos que acompanham essa conquista.
Como surgiu a paixão pelo futebol?
Desde pequeno. Eu jogava descalço na rua e sempre tive meu pai como referência. Foi vendo ele jogar que nasceu esse sonho que hoje começa a se tornar realidade.
Qual é o seu ídolo no futebol?
Meu maior ídolo é Deus. No futebol, me inspiro muito no Cristiano Ronaldo, pela dedicação e pela forma como ele vive a profissão.
Como você chegou ao Esporte Clube Originários?
Tudo começou em um evento em Belo Horizonte, o Torneio Gol pelo Clima, que reuniu várias aldeias indígenas de Minas Gerais. Eu representei a etnia Xakriabá e fui um dos destaques. O Léo Jardim estava lá, me observou, falou com o Anderson, do Originários, e daí surgiu o convite.
O que passou pela sua cabeça na hora do gol?
É um frio na barriga difícil de explicar. Quando a bola sai do pé e faz a curva, parece que o tempo para. É uma mistura de expectativa com uma explosão de energia. Mas também é o meu trabalho — estou ali para fazer gols e seguir meus objetivos.
Você imaginava alcançar um feito como esse?
Não. Sinceramente, nunca imaginei que um gol teria tanta repercussão. Não pensei que poderia entrar para a história do clube dessa forma.
O que esse gol representa para os povos indígenas?
Mostra que nós existimos, resistimos e pertencemos a esse espaço. Muitas vezes tentam nos colocar só no passado, mas estamos no presente, ocupando nosso lugar com a nossa identidade. Um time totalmente indígena fazendo história é algo muito forte.
Quais são seus objetivos daqui para frente?
Quero ajudar o Originários a fazer uma grande campanha. O objetivo é coletivo: fazer bons jogos e buscar o acesso à Série B2 do Campeonato Carioca.
Como está a preparação do time para a Série C de 2026?
Estamos muito focados, treinando forte todos os dias. A ideia é evoluir sempre e chegar bem preparados para lutar pelos nossos objetivos na competição.
Confira algumas fotos do evento (mais fotos neste link:
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