segunda-feira, 20 de abril de 2026

Dia dos Povos Indígenas tem goleada histórica em Maricá

 

Evento no Estádio João Saldanha reuniu o CERES/EC Originários e o Combinado 19 de Abril em partida simbólica que destacou resistência, representatividade e inclusão no futebol


A Prefeitura de Maricá celebrou neste sábado (19/04) o Dia Nacional dos Povos Originários com uma partida de futebol histórica no Estádio Municipal João Saldanha, reunindo o CERES/EC Originários, equipe 100% formada por atletas indígenas, e o Combinado 19 de Abril em um evento marcado por simbolismo, memória, resistência e valorização da cultura originária. E goleou. 7 a 0 sobre a equipe amadora local.

Com o resultado, a equipe indígena mostrou que está pronta para fazer ainda mais história na Série C. O pontapé inicial foi dado pelo ex-jogador Donizete Pantera, reforçando o caráter especial da programação. A partida teve como destaque o protagonismo do EC Originários, sediado em Maricá, que, em parceria com o Ceres FC, se prepara para disputar o Campeonato Carioca. O projeto reúne atletas de diferentes territórios e etnias, consolidando um marco inédito no futebol fluminense e nacional.

Com a bola rolando, o atacante Wendy escreveu seu nome na história ao se tornar o primeiro jogador integrante de uma tribo indígena a marcar um gol no futebol carioca — um feito que vai além das estatísticas e se transforma em símbolo de identidade, orgulho e resistência.

Pertencente à etnia Xakriabá, Wendy marcou um dos gols na vitória por 7 a 0 no jogo disputado no Estádio João Saldanha, diante de cerca de 800 torcedores. A goleada foi construída com gols de Thailan (2), Wendy, Jefter, Guilherme Kamayurá, Carlos Guajajara e Renato Xakriabá.

Mais do que o placar elástico, o momento representa a afirmação de histórias que por muito tempo foram invisibilizadas no esporte e que agora ganham protagonismo.

Anderson Terra, do Instituto Terra do Saber, destacou o peso simbólico do momento para o esporte e para a representatividade indígena. “Jamais um menino de aldeia, daqui ou de qualquer outra parte do país, imaginou que poderia ter a oportunidade de jogar futebol profissionalmente. O que estamos construindo aqui é justamente essa possibilidade. A ideia é crescer cada vez mais, com novas categorias e mais oportunidades, para que esses atletas possam acreditar e buscar voos maiores”, apontou o parceiro do clube na organização administrativa e marketing.

o EC Originários reúne jogadores de 15 etnias e conta com cerca de 30% do elenco formado por atletas do próprio município. A proposta é consolidar o futebol como ferramenta de inclusão, representatividade e desenvolvimento, ampliando o alcance da iniciativa nos próximos anos com a criação de novas categorias.


Sete gols, um recado: o Ceres/Originários está pronto

A partida teve papel importante na preparação da equipe para a disputa da Série C do Campeonato Carioca. Segundo o técnico Huberlan Silva, o confronto serviu como um teste fundamental para o elenco.

“Esse jogo foi importante para dar ritmo aos jogadores que estão se preparando para o Carioca Série C. Serviu para observar posturas, condicionamento e ajustar detalhes para a nossa principal competição do ano”, destacou o treinador Huberlan Silva.



Em entrevista exclusiva ao CONEXÃO FLUMINENSE, o atacante Wendy compartilhou emoções, memórias e sonhos que acompanham essa conquista.

Como surgiu a paixão pelo futebol?

Desde pequeno. Eu jogava descalço na rua e sempre tive meu pai como referência. Foi vendo ele jogar que nasceu esse sonho que hoje começa a se tornar realidade.

Qual é o seu ídolo no futebol?

Meu maior ídolo é Deus. No futebol, me inspiro muito no Cristiano Ronaldo, pela dedicação e pela forma como ele vive a profissão.

Como você chegou ao Esporte Clube Originários?

Tudo começou em um evento em Belo Horizonte, o Torneio Gol pelo Clima, que reuniu várias aldeias indígenas de Minas Gerais. Eu representei a etnia Xakriabá e fui um dos destaques. O Léo Jardim estava lá, me observou, falou com o Anderson, do Originários, e daí surgiu o convite.

O que passou pela sua cabeça na hora do gol?

É um frio na barriga difícil de explicar. Quando a bola sai do pé e faz a curva, parece que o tempo para. É uma mistura de expectativa com uma explosão de energia. Mas também é o meu trabalho — estou ali para fazer gols e seguir meus objetivos.

Você imaginava alcançar um feito como esse?

Não. Sinceramente, nunca imaginei que um gol teria tanta repercussão. Não pensei que poderia entrar para a história do clube dessa forma.

O que esse gol representa para os povos indígenas?

Mostra que nós existimos, resistimos e pertencemos a esse espaço. Muitas vezes tentam nos colocar só no passado, mas estamos no presente, ocupando nosso lugar com a nossa identidade. Um time totalmente indígena fazendo história é algo muito forte.

Quais são seus objetivos daqui para frente?

Quero ajudar o Originários a fazer uma grande campanha. O objetivo é coletivo: fazer bons jogos e buscar o acesso à Série B2 do Campeonato Carioca.

Como está a preparação do time para a Série C de 2026?

Estamos muito focados, treinando forte todos os dias. A ideia é evoluir sempre e chegar bem preparados para lutar pelos nossos objetivos na competição.

Confira algumas  fotos do evento (mais fotos neste link:




O Ceres/Originários continua sua preparação para a Série C e tem novo amistoso previsto para a próxima sexta-feira (24/04), no Estádio João Francisco dos Santos, em Bangu. O adversário ainda está sendo definido e daremos mais informações em breve.









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